Então, na cruz, o ladrão disse a Jesus:
– Vede, Senhor: aquela criança ali sentada sou eu.
Desde menino fui levado. Mas eu só queria ser feliz. Claro que, como toda criança, minha ambição era só brincar.
Minha mãe, pobrezinha, fazia o que podia. Até me falara de Deus. Mas, Senhor... é tão difícil levar Deus a sério quando se passa fome. Quando a luz da lamparina de apaga no meio da noite e já não se tem nem uma gota de azeite.
Cresci...veja, Senhor! Eu era um rapazola até que bem forte. Ah! Se meus caminhos fossem outros talvez até seria um bom centurião.
Mas o Senhor, até mais do que eu, sabe de tudo. Não culpo nem meus companheiros pelos atropelos da vida que escolhi. Oras, Pai, são todos como eu: uns pedregulhos se desencontrando nas ribanceiras da vida.
De qualquer forma foi com eles que aprendi os traquejos do crime. No começo era só pra matar a fome desesperada. Depois, como tudo que o homem almeja debaixo do céu, virou vício.
Roubava não mais apenas para comer, mas também pra beber vinho, pra jogar com os romanos... até pra visitar a casa das viúvas...
Fiz tanta coisa errada, Senhor... Por mais que enchesse meu cálice de miséria, mais eu queria. Como se pudesse consumir toda minha treva na escuridão dos meus pecados. Como se meus pecados pudessem queimar a minha marca do pecado original!
Só entrei no templo para roubar. Não minto, Pai: não havia temor de Deus em meu coração. A única coisa que me facinava em sua casa eram as túnicas suntuosas dos fariseus e dos escribas.
Senhor, sei que fiz tudo errado. Sei que pequei e insisti no pecado e mesmo que perdoasse setenta vezes sete não seria o suficiente. Não justifico nada do que fiz, pelo contrário, sempre meu único guia foi a necessidade e o único conselheiro foi o prazer. A mim, Pai, é justo que mande para o inferno...
Mas, Senhor... olha aquele menininho sentado ali. Aquele menininho que eu era. Olha, Pai! Ele tem medo da vida, medo de não ser feliz, medo da solidão.
A poeira e o vulto da fome decorando sua casinha tão pequena... Ah, Pai!
Condena o que sou, mas tem misericórdia de quem fui. O Senhor me vê por completo. O Senhor me vê criança, adulto e velho, vê além do tempo, tudo junto. Esse sou eu, Pai. Junta tudo e faça de acordo com a sua vontade.
Aqui nessa cruz os homens me humilham, me cospem e me quebram os ossos, mas isso não é nada. Difícil é viver no reino do maligno e não andar de acordo com suas leis.
Senhor misericordioso, deixa aquela criança que fui um dia encontra a felicidade que, mesmo sem saber, desde sempre procurou.
Nada no mundo já me basta. Nem a dor nem o prazer, nem a morte nem a vida!!!
– Vede, Senhor: aquela criança ali sentada sou eu.
Desde menino fui levado. Mas eu só queria ser feliz. Claro que, como toda criança, minha ambição era só brincar.
Minha mãe, pobrezinha, fazia o que podia. Até me falara de Deus. Mas, Senhor... é tão difícil levar Deus a sério quando se passa fome. Quando a luz da lamparina de apaga no meio da noite e já não se tem nem uma gota de azeite.
Cresci...veja, Senhor! Eu era um rapazola até que bem forte. Ah! Se meus caminhos fossem outros talvez até seria um bom centurião.
Mas o Senhor, até mais do que eu, sabe de tudo. Não culpo nem meus companheiros pelos atropelos da vida que escolhi. Oras, Pai, são todos como eu: uns pedregulhos se desencontrando nas ribanceiras da vida.
De qualquer forma foi com eles que aprendi os traquejos do crime. No começo era só pra matar a fome desesperada. Depois, como tudo que o homem almeja debaixo do céu, virou vício.
Roubava não mais apenas para comer, mas também pra beber vinho, pra jogar com os romanos... até pra visitar a casa das viúvas...
Fiz tanta coisa errada, Senhor... Por mais que enchesse meu cálice de miséria, mais eu queria. Como se pudesse consumir toda minha treva na escuridão dos meus pecados. Como se meus pecados pudessem queimar a minha marca do pecado original!
Só entrei no templo para roubar. Não minto, Pai: não havia temor de Deus em meu coração. A única coisa que me facinava em sua casa eram as túnicas suntuosas dos fariseus e dos escribas.
Senhor, sei que fiz tudo errado. Sei que pequei e insisti no pecado e mesmo que perdoasse setenta vezes sete não seria o suficiente. Não justifico nada do que fiz, pelo contrário, sempre meu único guia foi a necessidade e o único conselheiro foi o prazer. A mim, Pai, é justo que mande para o inferno...
Mas, Senhor... olha aquele menininho sentado ali. Aquele menininho que eu era. Olha, Pai! Ele tem medo da vida, medo de não ser feliz, medo da solidão.
A poeira e o vulto da fome decorando sua casinha tão pequena... Ah, Pai!
Condena o que sou, mas tem misericórdia de quem fui. O Senhor me vê por completo. O Senhor me vê criança, adulto e velho, vê além do tempo, tudo junto. Esse sou eu, Pai. Junta tudo e faça de acordo com a sua vontade.
Aqui nessa cruz os homens me humilham, me cospem e me quebram os ossos, mas isso não é nada. Difícil é viver no reino do maligno e não andar de acordo com suas leis.
Senhor misericordioso, deixa aquela criança que fui um dia encontra a felicidade que, mesmo sem saber, desde sempre procurou.
Nada no mundo já me basta. Nem a dor nem o prazer, nem a morte nem a vida!!!
Então o Senhor respondeu:
– A minha graça te basta. Hoje mesmo estará comigo no Paraíso.
Claudinei Muniz
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