terça-feira, 31 de julho de 2012

ALGUNS POEMAS ANTIGOS. FORAM ESCRITOS HÁ PELO MENOS 10 ANOS.

POEMA AO LUGAR QUE FICOU VAZIO NA MESA
Tua mão quente e firme
Ficará para sempre em minha lembrança.
E no meu coração sempre estará
Aquela esperança de que, na minha vez,
Esta mesma mão venha com carinho e firmeza
Me buscar.
E que eu eu ouça novamente você dizer “Tato”
E eu possa te dizer
Tudo o que eu não disse.
Te abraçar como nunca te abracei
E poder beijar seu rosto de irmão.
Deus sabe o quanto te amei e te amo
E só Ele pode preencher agora
Esse vazio tão dolorido.
Mano, onde quer que você esteja
Que Deus te abençoe e te guarde
E te conserve na Luz.
C.M.L.


SUSPEITA
Desconfio deste que anda comigo.
Me parece que, a qualquer momento,
Ele pode gritar: “para o alto e avante!”
E sair cruzando os céus como um raio
Para salvar alguma formiga
Que se afoga num pingo de chuva.
C.M.L.


NO FIM
Quando a poesia não for mais nada
E da criança não se ouvir a voz
E nem os olhos brilharem na amada
Me diga, homem: o que será de nós?

Me diga como prosseguir jornada
Num mundo louco, terrivelmente à sós
Sem poesia, sem criança ou amada
Me diga, homem: o que será de nós?

Quando o último pilar no chão cair
E a última vela do altar se apagar
E a escuridão nossos olhos cobrir
Como encontrar uma luz pra guiar
Nossos passos perdidos sem ter onde ir
Como lenhos que vão rodando no mar...?
C.M.L.


PADROEIRA DOS MISERÁVEIS
Oh! Mesas fartas, desculpai-me, mas não
Posso me sentar entre os seus... meu lugar
É junto das mesas vazias sem pão
E junto das almas perdidas, sem lar...

Meu lugar é junto daqueles que vão
A procura de paz, de um riso, um olhar
E da vida não tem mais nada senão
O meu nome na boca a lhe sustentar.

Estar entre os grandes e os fortes que tem
De tudo e não carecem jamais de meu bem
Me perdoem, mesas fartas, me cansa...

Deus criou-me para estar junto destes
Tristes, fracos, perdidos e doentes...
Meu nome? Prazer, me chamo ESPERANÇA.
C.M.L.



A VOLTA
Em algum silêncio
De alguma primavera distante
Vou chegar aos teus pés puros
E morrer.
Eu, cansado e mal,
Meus olhos fundos, as mãos trêmulas,
Com o coração turvado de tanta saudade
Da Tua paz e do Teu sorriso.
Não vou saber nem o que falar
Naquele instante em que tudo se entende,
Só vou deitar no teu colo
E morrer.
Tantos prados cruzei sozinho
Perdido e cego de mentiras...
Vou lembrar destas coisas que hoje adoro tanto
E vou até rir da minha tolice.
Rir e morrer.
O Senhor vai saber o quanto o procurei
E o quanto o neguei.
Vai saber o quanto tive que bater cabeça
Pra finalmente te encontrar.
Tu irás me despir dos meus trajes rotos
E de minha maldade.
Vai me lavar com Teu bendito sangue
E dizer: seja bem vindo meu filho!
C.M.L.